Comunidades

21/03/2011, 15:18

O Estado de Sergipe está localizado na Região Nordeste e possui a menor área territorial dentre os estados brasileiros, com uma população de 2.039.592 mil habitantes e 75 municípios. Está dividido, segundo planejamento territorial do Estado, em oito territórios: Grande Aracaju, Baixo São Francisco, Leste, Alto Sertão, Médio Sertão, Agreste Central, Centro Sul e Sul. A taxa de crescimento da população rural, em 2007, se apresentou em 4,3%, enquanto que a média nacional em 1,1%, num total de 372.301 habitantes. Estima-se que a população feminina é de 909.569 mil, representando 50,9% da masculina.

Segundo dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) de 2008, o desemprego no Estado de Sergipe passou de 12,7%, em 2005, para 9,4%, em 2006, o que corresponde a uma redução de 25,9%. Entre os sexos, porém, o desemprego diminuiu mais para os homens, pois a taxa passou de 10,1%, em 2005, para 7,3%, em 2006, com uma queda equivalente a 27,7%. Já entre as mulheres, o desemprego passou de 16,0%, para 12,1%, uma variação de 24,5%. Para as mulheres, essa situação é muito desfavorável, tanto que o total de mulheres desempregadas supera o de homens, mesmo considerando que sua presença na PEA, é menor.

A alta taxa de densidade demográfica, combinada com um elevado grau de urbanização, agrava a carência social. Sergipe possui um dos piores índices de mortalidade infantil do Brasil e a taxa de analfabetismo funcional também é expressiva: quase a metade dos sergipanos sabe ler e escrever apenas o próprio nome, apresentando assim, o índice de desenvolvimento humano de 0,687, considerado médio na classificação de IDH 2000. Apresenta uma estimativa de 666.997 pessoas em situação de indigência e pobreza, o que corresponde a 37,37% da população, conforme censo IBGE (2000). O Índice de pobreza é de 45,6%, sendo 19,8 de indigentes, segundo dados do PNUD (2000).

Os territórios da Grande Aracaju e do Agreste Central têm se destacado pelos serviços implantados ou em andamento, que visam o enfrentamento da violência contra a mulher, na prevenção, no atendimento e no combate à violência, tais como: As Delegacias Especializadas de Atendimento a Mulher, Centros de Referência da Mulher, A Casa Abrigo, a 11ª Vara do Fórum, Núcleos de Atendimento a mulheres vítimas de violência, e a realização de campanhas e eventos visando a discussão e divulgação dessa temática. Contudo, não há uma maior integração e divulgação dos serviços para facilitar o acesso das mulheres aos mesmos.

Segundo dados analisados por JESUS (2009), os municípios que fazem parte da Grande Aracaju apresentam altas taxas de desenvolvimento humano e menor população rural. Aracaju, por exemplo, apresenta IDH de 0,794 (IBGE, 2007), com exceção de Itaporanga, onde o índice é bem menor (0,638), apresentando população rural maior que a população urbana (63%). Itaporanga assemelha-se aos demais municípios onde há extração da mangaba, como o município de Barra dos Coqueiros, onde o índice é de 0,676. Em Estância, o IDH é de 0,672, Japaratuba é de 0,651, Indiaroba é de 0,605 e Japoatã onde o índice é de 0, 604. Todas fazem parte do Bioma Mata Atlântica, e possuem mata de restinga, ideal para a presença natural da mangabeira.

Estância possui uma área de 642 Km, cerca de 63.582 habitantes e IDH 0,672. Existem 65 escolas de ensino fundamental, 56 da pré-escola e 8 de ensino médio. O município dispõe de 685 docentes no ensino fundamental, 134 docentes para a pré-escola e 154 docentes que trabalham com o ensino médio. Existem 13.772 estudantes matriculados no ensino fundamental, 2.644 matriculados na pré-escola e 2.897 matriculados no ensino médio. O município possui 16 estabelecimentos de saúde da rede municipal, 1 da rede estadual e 15 estabelecimentos privados.

Possui 19.957 ligações de água, sendo 18.583 residenciais, 62 industriais, 1.192 comerciais, 120 do poder publico e nenhuma registrada como rural.

Em Estância, somente 9,06% de sua área é destinada à extração da mangaba e quase metade (4,45%) é de acesso permitido. O município tem, como perfil econômico, outras atividades, algumas afetando diretamente a cultura da mangaba como é o caso da carcinicultura. Esta é uma prática que vem crescendo no município e está afetando parte das comunidades que catam a mangaba e geram as seguintes demandas: aumento da área de cultivo, produção, agregação de valor ao produto agrícola, capacitação em gerenciamento e comercialização.

Neste município também serão envolvidas mulheres extrativistas assentadas da reforma agrária, que possuem uma situação diferenciada quanto à coleta. Existem áreas coletivas garantidas para o desenvolvimento da cultura, mas ainda não há nenhuma perspectiva de produção a partir de novas tecnologias.

Itaporanga possui área de 757,28 km2, 29.347 habitantes e IDH 0,638. Existem 54 escolas do ensino fundamental, 32 da pré-escola e 45 escolas do ensino médio. Estas dispõem de 307 docentes para o ensino fundamental, 59 para a pré-escola e 45 para o ensino médio. Existem 7.145 matriculas no ensino fundamental, 1.284 matriculas na pré-escola e 1.524 matricula no ensino médio. Na cidade existem 17 estabelecimentos de saúde da rede municipal e três estabelecimentos privados. Possui 3.401 registros de ligação de água, sendo 3.279 residenciais, 1 industrial, 67 comerciais, 54 do poder público e nenhuma registrada como rural.

A realidade de Itaporanga, apesar de fazer parte do território da Grande Aracaju, é próxima a de Estância, com uma área um pouco menor destinada à coleta da mangaba: 7,02%. Fenômenos interessantes acontecem neste município, como catadoras de alguns povoados se deslocarem para outros povoados para coletarem o fruto. O cultivo de eucalipto também é uma grande ameaça, seguido da carcinicultura. O que faz com que a ampliação da área de cultivo seja a maior demanda, além de assistência técnica, capacitação, agregação de valor ao produto.

Barra dos Coqueiros tem uma área de 91,10 km2 e 19.998 habitantes e IDH 0,676. Possui 15 escolas de ensino fundamental, 13 do pré-escolar e 3 escolas de ensino médio, dispõem de 171 docentes para o ensino fundamental, 66 para a pré-escola, e 44 para o ensino médio. Existem 3.605 estudantes matriculados no ensino fundamental, 1.092 na pré-escola e 553 matriculados no ensino médio.  Na cidade existem nove estabelecimentos de saúde da rede municipal.

A cidade dispõe de 5.132 ligações de água, sendo 5.005 residenciais, 6 industriais, 87 comerciais, 34 do poder público e nenhuma registrada como rural.

Em Barra dos Coqueiros a área referente a prática do extrativismo da mangaba é de 35,58%, sendo que 29,13% é de área proibida. Isso se reflete na principal ameaça que é o loteamento das terras e proibição de entrada pelas catadoras, gerando uma demanda de acesso. Também nesse município existe forte pressão da atividade de hotelaria, devido ao aumento do turismo na região costeira.

Indiaroba tem 313,58 km2 de extensão e cerca de 18.126 habitantes, de acordo com o censo  2009 do IBGE e IDH 0,605. Possui 26 escolas de ensino fundamental, 25 escolas de ensino pré-escolar e duas escolas de ensino médio, onde há 4.46 matriculados no ensino fundamental, 746 na pré-escola e 892 matriculas no ensino médio. Dispõem de 232 docentes para o ensino fundamental, 52 docentes para a pré-escola e 32 para o ensino médio. Na cidade existem 11 estabelecimentos municipais de saúde.

Nos povoados onde vivem as mulheres extrativistas, as condições são precárias, não existem escolas de ensino fundamental completo, as moradias são de taipa, em sua maior parte, não há saneamento básico e há problemas com a água encanada que não chega às casas. As extrativistas também vivem da cata de crustáceos, como atividade secundária.

Indiaroba tem uma pequena região voltada para a coleta da mangaba com 7,56% do seu território. A falta de acesso para algumas famílias, vem se tornando um problema, pois o loteamento e a proibição por parte dos donos às suas terras, acabam gerando demandas de acesso além de outras, como beneficiamento do produto agrícola e capacitação.  

Japaratuba possui 359,51 km2 de extensão, 16.046 habitantes e IDH 0,651. No município existem 119 escolas do ensino fundamental, 17 da pré-escola e uma escola do ensino médio. Dispõe de 204 docentes para o ensino fundamental, 52 para a pré-escola e 207 para o ensino médio. Na cidade existem 15 estabelecimentos de saúde da rede municipal e um privado. Possuem 9198 registros de ligações de água, sendo 8.878 residenciais, 2 industriais, 143 comerciais, 175 do poder publico e nenhuma registrada como rural.

Tem 8,99% do seu território voltado para o extrativismo da mangaba, sendo 4,70% de área permitida e 3,53% de contrato de compra. A maior ameaça em Japaratuba é o cultivo da cana-de-açúcar, que vai ocupando as terras e gerando demandas voltadas para acesso a plantas, assistência técnica, insumos agrícolas e capacitação.

Japoatã possui 420,49 Km² de extensão, 14.027 habitantes e IDH 0,604. O município possui 26 escolas de nível fundamental, 20 da pré-escola e três do ensino médio. Possui 2.665 matriculas no ensino fundamental, 712 matriculas na pré-escola e 897 matriculas no ensino médio. Dispõe de 146 docentes para o nível fundamental, 43 docentes para a pré-escola e 49 docentes para o ensino médio. Na cidade existem sete estabelecimentos de saúde.

A coleta da mangaba está presente em 18,03% do seu território, mas em boa parte desta área há conflito, principalmente, por causa de proprietários que cercam seus terrenos, proibindo a entrada das catadoras. Os cultivos da cana-de-açúcar e de eucalipto também se revelam como ameaça. Por conseqüência a principal demanda é o acesso a plantas.

Pirambu possui 218 Km² de extensão e 8.053 habitantes, sendo 43,16 na zona rural e 56,84 na urbana com IDH 0,652. A taxa de analfabetismo da faixa etária de 10 a 15 anos, corresponde a 15,5% . Acima de 15 anos, 26,6%. O município possui nove escolas de ensino fundamental, com 1.776 alunos matriculados e 89 docentes; nove da pré-escola com 457 alunos e 26 docentes; nove de ensino médio com 406 alunos e 34 docentes, conforme IBGE 2007.  É o município que possui a maior área de extração da mangaba com 19,58% de seu território com sítios próprios e permissão por parte dos donos dos terrenos. No momento, não apresenta grandes ameaças, mas com a valorização imobiliária esse quadro pode mudar. As demandas dos povoados são assistência técnica e capacitação para: agregação de valor do produto agrícola, comercialização, organização social e “defeso da mangaba”. Neste município também existem assentamentos de reforma agrária envolvidos na extração da mangaba.

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18/06/2014 16:21 Os caminhos que se trilham na Restinga Sergipana
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